Wednesday, June 30, 2004

Contributo para a análise do Megalitismo no Alto Ribatejo: Relatório final dos trabalhos sobre o megalitismo no Alto Ribatejo / projecto TEMPOAR

Introdução
Este artigo reporta-se aos trabalhos realizados entre 1998 e 2001 relativos ao megalitismo da zona do Alto Ribatejo e às conclusões retiradas do estudo que se tem vindo a desenvolver desde 1994.
Nos termos do projecto TEMPOAR (Territórios e Mobilidade no Alto Ribatejo), foram intervencionados entre 1998 e 2001, dois monumentos megalíticos: A Anta 1 do Rego da Murta e o Anta 5 da Jogada.
Os trabalhos de escavação desenvolvidos, sobretudo auxiliados por apoios logísticos de algumas instituições públicas, pelas parcerias com outras instituições europeias e pelo voluntarismo dos alunos do curso de Conservação e Restauro e Gestão do Território do Instituto Politécnico de Tomar, possibilitou-nos chegar a um conjunto de dados mais fiáveis para a interpretação deste fenómeno, ainda que consideremos insuficiente para colher conclusões que nos permitam compreender na totalidade o megalitismo desta região.
Este artigo será dividido em duas partes:
 a primeira referir-se-á aos monumentos megalíticos intervencionados entre 1998 e 2001, nomeadamente a Anta 1 do Rego da Murta e o monumento 5 da Jogada. Tratam-se de dois monumentos localizados a uma distância sensivelmente de 40 Km, integrados em necrópoles mas com características bastante distintas.
 a segunda parte aludirá algumas conclusões ordinárias que até este momento podemos retirar sobre o megalitismo do Alto Ribatejo.

I - Anta 1 do Rego da Murta
Contexto Arqueológico

As construções tumulares não são muito conhecidas na região de Alvaiázere, poder-se-á mesmo dizer que existe uma espécie de hiato entre a zona da Figueira da Foz e a zona sul do Distrito de Leiria (Leisner, 1998), provavelmente derivada do desconhecimento, dos poucos estudos desenvolvidos nesta zona ou ainda de outro tipo de hábitos de culto presente nas ocupações de grutas com enterramentos.
Mesmo as posteriores descobertas e inventários realizados após os estudos dos Leisner, pouco adiantaram neste tipo de contexto.
Em Alvaiázere podemos contar de dois, os monumentos dolménicos conhecidos.
A Anta 1 e 2 do Rego da Murta distam uma da outra de cerca de 250 metros, não existindo nos seus redores nenhum outro monumento conhecido, à excepção de um menhir descoberto aquando do acompanhamento da variante de Tomar do IC3, junto ao limite da formação dos Grés de Silves .
Em termos metodológicos e de futuro será necessário a realização de sucessivas campanhas de prospecções sistemáticas em toda esta zona.

Localização Pormenorizada

Distrito: Leiria
Concelho: Alvaiázere
Freguesia: São Pedro do Rego da Murta
O monumento em estudo implanta-se numa vasta plataforma de depósito fluvial a cerca de 20 metros da ribeira do Rego da Murta e do lado esquerdo da estrada municipal (Tomar - Alvaiázere).
Geograficamente, a Anta 1 do Rego da Murta localiza-se (coordenadas UTM) no Meridiano: 554,300 e no Paralelo: 4401,900.

Metodologia de escavação

Durante estes 4 anos foi nosso objectivo aplicar uma metodologia que se mantivesse a par das novas inovações e da utilização das novas tecnologias.
Foi exactamente com este objectivo que desenvolvemos um sistema de informação geográfica com georeferênciação dos materiais encontrados e com a vectorização de todas as estruturas postas a descoberto.
Os trabalhos iniciaram-se sempre pela limpeza do terreno, pelo corte da vegetação e pela remoção de entulhos.
Durante os dois primeiros anos (1998 e 1999) optou-se por dividir o monumento em 4 quadrantes, tendo sido iniciado o quadrante B e D. Só os materiais mais importantes eram registados com um X, Y e Z.
A partir de 2000, com a intensificação da escavação, delimitou-se a área em estudo, materializada por dois eixos ortogonais, definido pelo norte magnético e subdividido em quadrados de 1m lado.
Realizou-se o levantamento topográfico com distancias de ½ m de lado. O levantamento foi realizado com uma estação total com leituras aproximadas ao milímetro.
Todos os vestígios materiais foram devidamente etiquetados e coordenados pela estação total, à excepção dos vestígios ósseos que foram exclusivamente etiquetados.
Relativamente à área de escavação, esta foi alargada no sentido SE acompanhando a direcção do corredor continuando, contudo, a decapagem no centro do monumento no sentido de chegar ao bed-rock e de registar toda a camada estratigráfica existente.
Após as diferentes decapagens em área procedeu-se ao desenho tendo sido os diferentes pontos computadorizados pela estação total.
Toda a terra retirada foi peneirada. Nas principais zonas de escavação ou quando o estado do solo não permitia uma observação mais cuidada, a terra foi levada para o gabinete para ser peneirada com água.
A conservação do monumento foi garantida, durante estes anos, pela cobertura com telas e terra.
Esta mesma metodologia foi continuada em 2001, onde se ampliou o levantamento topográfico a áreas adjacentes, tendo em vista proporcionar graficamente uma leitura mais correcta da implantação do monumento.
O ponto Ø atribuído inicialmente foi alterado encontrando-se agora no centro da câmara, a 9.50m Este e 7 metros Norte do ponto a dado anteriormente pelo GPS. Também no ano de 2001 foi definido um novo ponto designado por b para as coordenadas (X,Y) – que ficou localizado a 10 metros a Sul e 0 metros Este do centro da Estação (ponto Ø). Definiu-se ainda um ponto c a 16m Norte e 0 metros Este.
A recta que travessa estes dois pontos dá-nos a orientação da estação que coincide com o Norte magnético. O valor de Z (altitude) é dado pela diferença em relação ao ponto d localizado no esteio 2. O mesmo ponto desde 1998.
A necessidade da definição do ponto b deveu-se à perda da localização do ponto a, devido aos trabalhos agrícolas que terão removido a estaca existente no antigo ponto acordado.
Para além dos diferentes levantamentos de desenhos, as estruturas foram fotografadas na vertical para posteriores vectorizações.
Em gabinete os vestígios materiais foram devidamente lavados, consolidados, marcados e desenhados.
Posteriormente procedeu-se à vectorização das diferentes estruturas e à localização espacial e integração contextual dos materiais encontrados.
Para este efeito foi desenvolvida uma base de dados em Access, que permitia o registo pormenorizado dos achados. As fichas integravam sobretudo campos relacionados com o contexto e com as características particulares de cada tipo de material encontrado.
No que diz respeito à vectorização e localização espacial foi desenvolvido um SIG (sistema de informação geográfica) em ArcInfo 8.1 que permitiu dispor e relacionar a localização do objecto com as suas diferentes características particulares.

Resultados

O desenvolvimento deste trabalho permitiu os seguintes resultados:

• No que diz respeito às estruturas:

A câmara é constituída por 8 esteios, sendo, desta forma, um monumento octogonal, com cerca de 5 metros de diâmetro maior (Figura 1).
A passagem para o corredor é feita entre o esteio 9 e 10, encontrando-se o monumento orientado a SE.
Na delimitação da área do corredor foi observado uma estrutura de calcetamento do esteio 9, bem como um conjunto de pedras que de alguma forma delineavam o limite lateral Oeste do corredor (Figura 2).
O esteio a pertencente ao corredor encontra-se tombado para Oeste.
Destaca-se, também, a descoberta de um buraco de poste no lado esquerdo do corredor, bem delimitado por pedras. Foi recolhida uma amostra desta terra para análise. O interior desta estrutura não continha nenhum material (Figura 2).

• Relativamente aos materiais, foram recolhidos:

Vários fragmentos cerâmicos na sua maioria da camada nº 2.
À excepção de um fragmento de cerâmica com decoração incisa arrastada, encontrada no ano de 2001, podemos descrever a maioria como que se tratando de cerâmica lisa, de formas fechadas, esféricas e base recta, com uma espessura entre 6 a 14 mm (Figura 3).
Os líticos, em maior número, contam-se sobretudo por elementos talhados, à excepção de uma goiva em anfibolito polida e uma placa de xisto lisa com perfuração também ela polida e sem decoração. Dos elementos talhados observa-se por ordem decrescente a presença de lascas (na sua maioria retocadas e em sílex), lâminas (trapezoidais e triangulares em sílex (2 completas), à excepção de uma lâmina em quartzo hialino completa) pontas de seta, micrólitos, contas de colar, alguns núcleos e um pendente (Figura 4 e 5).
Sendo ainda de assinalar a recuperação de um furador em osso (Figura 5) e de um outro instrumento indeterminado.

• Dos materiais osteológicos:

Foram recuperados cerca de 158 dentes tendo revelado até ao momento a existência de 18 enterramentos, sendo 7 de crianças e 3 de adolescentes.
As alterações morfológicas nos dentes denunciaram uma dieta composta quase na sua totalidade por alimentos duros e abrasivos.
A diagnose sexual mais limitada por 5 elementos que a poderiam caracterizar salientou a presença de 3 indivíduos do sexo feminino e 2 do sexo masculino.
Os diferentes achados osteológicos foram encontrados desconectados anatomicamente, fruto de trabalhos agrícolas e de possíveis enterramentos secundários.

• Estratigraficamente

O aprofundamento do Quadrante D permitiu chegar à conclusão da existência de 3 níveis estratigráficos (Figura 6).

1. Camada de superfície humosa de tonalidade castanha. Contêm diversos fragmentos de cerâmica recente e poucos vestígios de cultura material pré-histórica.
2. Camada argilosa castanha escura, compacta, com presença de uma grande quantidade de materiais pré-históricos e alguns fragmentos de cerâmicas mais recentes.
3. Camada argilosa avermelhada, com uma elevada densidade de granulometria, proveniente de depósitos fluviais da ribeira do Rego da Murta, com presença de alguns materiais pré-históricos.

• Amostras e análises:

Devido à falta de recursos financeiros não foram realizadas até 2001 nenhumas análises.

O Monumento 5 da Jogada
Contexto Arqueológico

A Anta 5 da Jogada integra-se num conjunto de mais 4 antas localizado a Este do Rio Zêzere.

Morfologicamente não se enquadra em nenhum tipo de monumentos até então inventariados nesta zona, tratando-se de um desvio claro à norma da necrópole que a integra.
O estado de degradação deste monumento levanta-nos sérios problemas na sua compreensão.
Contudo, a configuração do monumento leva-nos a considerar a sua inserção numa nova tipologia e a separá-la em termos teóricos da funcionalidade e talvez do significado simbólico que teriam as outras antas que compõem a necrópole da Jogada, Val da Laje e do Vale do Chãos.

Localização Pormenorizada

Distrito: Santarém
Concelho: Abrantes
Freguesia: Aldeia do Mato

A Anta 5 da Jogada encontra-se implantada na margem esquerda de um dos afluentes numa vertente virada para o Rio Zêzere e com visibilidade para a Anta do Val da Lage.
Integra-se numa necrópole de mais 11 monumentos que se implantam em chãs elevadas com boa visibilidade.
Geograficamente o monumento 5 da Jogada localiza-se a 230 m de Altitude com Meridiano: 561,24 e Paralelo: 4377,65 (coordenadas UTM) (Cruz e Oosterbeek 1998 ; Cruz e Oosterbeek 1999).

Metodologia

Tratando-se de um local em situação de ser destruído toda a metodologia foi direccionada, pela responsável da escavação , para a minimização e protecção do local em questão.
Assim, ao longo dos 4 anos, foi sendo levantado um registo fotográfico bastante intensivo a par da escavação em algumas áreas mais atingidas.
Todos os anos se procedia à limpeza, à remontagem dos eixos da escavação e à sua consequente subdivisão em quadrados de 2 m de lado.
Durante estes anos também se desenvolveu um levantamento microtopográfico da zona a intervencionar. Durante a escavação, as terras retiradas iam sendo peneiradas com uma malha de 5 mm e todas as estruturas e perfis devidamente desenhados.
Os materiais recuperados foram coordenados e posteriormente tratados em laboratório tendo sido devidamente conservados, registados e em alguns casos reconstruídos.
Para a protecção do monumento foi utilizado “tela verde” e grandes blocos rochosos de fixação.

Resultados

O desenvolvimento deste trabalho permitiu os seguintes resultados:

• No que diz respeito às estruturas:

O monumento apresenta planta sub-circular, envolvida numa mamoa com cerca de 2 m de altura, 18 m de eixo maior (Norte-Sul) e 15 m de eixo menor (Este-Oeste). (Figura 7)
Os esteios que compõem a câmara encontram-se adoçados ao afloramento.
Segundo Ana R. Cruz , provavelmente este aglomerado poderá ser propositado para a definição da estrutura e aproveitamento do espaço, contudo só poderá ser confirmado com a continuação dos trabalhos.
A laje de cobertura, também presente encontra-se fracturada em dois blocos.
À semelhança da Anta 1 do Val da Laje, a mamoa encontra-se delimitada por um anel periférico composto por um conjunto de pequenos blocos verticais, exposto no quadrante Leste aquando da abertura de um caminho florestal. (Cruz e Oosterbeek 1998)
Contudo a maior parte das estruturas têm sido destruídas em função da plantação dos eucaliptos.


• Relativamente aos materiais, foram inventariados:

Alguns fragmentos cerâmicos de cariz votivo (pequenas dimensões) e outros rudimentares e de diâmetros alargados provavelmente de cariz mais funcional. Foi possível recuperar 2 vasos quase completos de morfologia esférica.
Os materiais líticos são na sua maioria talhados, entre eles destacam-se lascas de quartzo e quartzito retocadas, fragmentos de lâmina e lamelas, pontas de seta (uma inacabada) em sílex, um elemento de foice, raspadores, raspadeiras e um seixo rolado com entalhes laterais de secção ovalada..
Em anfibolite destacam-se 2 fragmentos de machado.

• Estratigraficamente

O estudo desenvolvido permitiu observar 3 unidades estratigráficas (Figura 8).
1. “Solo actual de textura pulverulenta e castanha-parda, com grande quantidade de matéria orgânica em decomposição. Encontraram-se alguns fragmentos de cerâmica vidrados.
2. Camada composta por sedimentos areno-siltosos de côr amarelada, com presença de artefactos e ecofactos pré-históricos.
3. Camada estéril com algum material pré-histórico que aparecem sem excepção por baixo de blocos médios de gneiss.” (Cruz e Oosterbeek 1999)

• Amostras e análises:

Devido à falta de recursos financeiros não foram realizadas até 2001 nenhum tipo de análise, contudo foram recolhidas diversas amostras para posteriores estudos.

Análise genérica do megalitismo da região do Alto Ribatejo.
Dos 16 monumentos conhecidos foram até este momento intervencionados totalmente a Anta 1 do Val da Laje (Abrantes), parcialmente o monumento 5 da Jogada (Abrantes) e a Anta 1 do Rego da Murta (Alvaiázere), sondadas as Antas 1, 2, 3 e 4 da Jogada (Abrantes), as Antas 1 e 2 de Vale dos Chãos (Abrantes) e a Anta das Pedras Negras (Tomar), prospectadas os monumentos 2, 3, 4 e 5 de Val da Laje (Tomar), restando a Anta 2 do Rego da Murta (Alvaiázere) sem intervenções assinaláveis.
A grande destruição e alteração na sua estrutura que foram alvo algumas antas (2, 3 e 4 da Jogada e 2, 3, 4 e 5 de Val da Laje) impossibilitam-nos de retirar determinadas conclusões, sobretudo relacionadas com a morfologia que as constituía.
Observando o mapa nº1 torna-se notório, aquilo que poderão ser 3 zonas ou 3 conjuntos de necrópoles.
A zona intitulada com o número 1, pertence ao concelho de Alvaiázere, onde se destacam os monumentos 1 e 2 do Rego da Murta.
Morfologicamente são muito semelhantes, ambos são munidos de uma câmara sub-circular de grandes dimensões (entre 3 a 5 metros de diâmetro) com corredor orientado para a Ribeira da Murta.
A matéria-prima utilizada na sua construção é muito distinta das outras zonas analisadas, havendo um aproveitamento da matéria-prima local (calcário).
O material recolhido aponta-nos para uma possível aproximação com o megalitismo da Beira Litoral, havendo em alguns casos uma semelhança artefactual com as grutas do Nabão.
Contudo, só após o desenvolvimento do estudo se poderá clarificar as nossas conclusões.
Uma segunda zona poderá ser identificada mais a Sul.
Apesar de só conter um monumento terá sido, possivelmente, integrada numa necrópole, contudo não foi observado nenhum vestígio que o confirme.
A anta das Pedras Negras, localiza-se em Tomar numa zona elevada com visibilidade directa para o Rio Zêzere, uma implantação muito semelhante à Anta 5 da Jogada. No entanto a tipologia é idêntica à maioria dos monumentos do Baixo Zêzere. (Cruz e Oosterbeek 1999, 239)
Os escassos artefactos recolhidos, na sua maioria líticos, não nos permitem tirar grandes ilações quer em termos cronológicos, quer em termos culturais.
A terceira zona, esta de grande extensão poderá englobar, o que designamos pela necrópole de Val da Lage (5 monumentos), necrópole da Jogada (5 monumentos) e a necrópole de Vale dos Chãos (2 monumentos).
Este terceiro conjunto de necrópoles poderá ser dividido em dois se atendermos ao rio como fronteira divisória. Assim poderíamos considerar as estações do Val da Laje num conjunto e as da Jogada e Vale do Chãos num outro diferente. Contudo os objectos encontrados nos dois mundos, a inter-visibilidade entre alguns monumentos com o lado oposto do rio, bem como as estruturas e a morfologia arquitectónica apontam-nos para a existência de um, possível, único grupo.
Este último conjunto, composto por 12 monumentos, localiza-se entre o concelho de Abrantes e Tomar, nas duas margens do Rio Zêzere.
À excepção da anta 5 da Jogada, que se localiza numa vertente direccionada para o Rio (figura 10), todos os outros monumentos se encontram mais próximo de ribeiras e afluentes, implantando-se contudo em zonas elevadas de grande visibilidade.
Morfologicamente, também o monumento 5 da Jogada se destaca em relação aos outros monumentos que estruturalmente poderão ser descritos como monumentos dolménicos com câmara simples de pequenas dimensões, corredor curto e laje de cobertura única.
Em termos cronológicos não podemos apontar dados seguros sobre o processo evolutivo deste tipo de culto ao longo dos tempos, sobretudo devido à falta de datações radio-carbónicas e destruição de alguns destes monumentos dos quais não contemos informações significativas.
A datação relativa do material encontrado e a possível existência de enterramentos de fossa aponta-nos, à primeira vista, para uma ocupação mais tardia dos monumento 5 da Jogada em comparação com os monumentos de câmara e corredor implantados nas suas imediações e de uma provável antiguidade dos monumentos do Vale do Chãos em relação aos da Jogada e do Val da Laje.
Em alguns monumentos (Anta 1 do Val da Laje) observa-se uma ocupação contínua ou faseada do Neolítico à Idade do Bronze.
Conclusão:
Num primeiro balanço muito genérico podemos apontar a seguinte tipologia para o Alto Ribatejo:
• Estruturas de dólmen com corredor e câmara de grandes dimensões localizados em zonas planas (Anta 1 e 2 do Rego da Murta, Alvaiázere).
• Estruturas de dólmen com corredor localizados em zonas elevadas controlando uma vasta área de visibilidade, sobretudo direccionada directamente para grandes cursos fluviais (Anta das Pedras Negras).
• Estruturas de fossa (figura 9), sob mamoa em terra com associação de alguns monólitos a afloramentos e com visibilidade directa para grandes cursos fluviais (o monumento 5 da Jogada).
• Estruturas de dólmen com corredor localizados em zonas elevadas sem visibilidade directa para cursos fluviais (Anta 1 do Vale da Laje, Anta 1 e 2 de Vale do Chãos, Anta 1, 2, 3 e 4 da Jogada).
A anta 2, 3, 4 e 5 do Val da Laje localizam-se em cotas inferiores aos outros monumentos, mas mantendo alguma visibilidade apesar de não terem uma relação directa com o Rio Zêzere, contudo por se encontrarem completamente destruídas, não nos permitem retirar ilações sobre a sua estrutura arquitectónica.
A implantação dos monumentos apesar de diversificada em alguns casos, sobretudo pelas diferenças de relevo, encontra-se a uma cota entre os 130 e os 230 metros de altitude e na sua maioria relacionadas ou muito próximas de cursos fluviais.
Apesar das constantes prospecções realizadas um pouco por toda a região, contam-se, até este momento, por muito poucos os monumentos megalíticos presenciados no Alto Ribatejo, podendo as suas funcionalidades terem sido substituídos por outro tipo monumentos ou práticas.
Bibliografia
Cruz, Ana R. E Luíz Oosterbeek, 1998, Anta 1 do Rego da Murta, in Techne, vol. 4, 92-102.
Cruz, Ana R., Oosterbeek, Luíz, 1998, Relatório da Campanha Arqueológica de 1997, in TECHNE, Revista da Arqueojovem, nº 4, 61-78.
Cruz, Ana R., Oosterbeek, Luíz, 1998, Relatório da Campanha Arqueológica de 1997, in TECHNE, Revista da Arqueojovem, nº 6, 75-8.
LEISNER, Vera, 1998, Die Megalithgraber der Iberischen Halbinse/ von Vera Leisner/ Deutsches Archaologisches Institut, Abteilung Madrid .- Berlin: Walter de Gruyter, (Madrider Forschungen; 1). Der Westen/ Aus dem NachlaB zsgest. Von Phililine Kalb


Mapa 1 – Imagem vectorizada da região do Alto Ribatejo com a localização dos monumentos megalíticos conhecidos.


Figura 1 - Anta 1 do Rego da Murta, Alvaiázere. Vista se S-W.

Figura 2 – Imagem vectorizada dos desenhos de planta das estruturas escavadas na Anta 1 do Rego da Murta

Figura 3 – Desenho de alguns fragmentos dos vasos cerâmicos da Anta 1 do Rego da Murta, Alvaiázere.

Figura 4 – Desenho de material lítico proveniente da Anta 1 do Rego da Murta, Alvaiàzere.

Figura 5 – Desenho de material lítico e ósseo proveniente da Anta 1 do Rego da Murta, Alvaiàzere.

Figura 6 – Imagem vectorizada do levantamento do corte estratigráfico W-E da Anta 1 do Rego da Murta.

Figura 7 – Monumento 5 da Jogada

Figura 8 – Corte estratigráfico do Monumento 5 da Jogada

Figura 9 – Pormenor da fossa do monumento 5 da Jogada.

Figura 10 – Vista para o Rio Zezere do Monumento 5 da Jogada.

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